Psicólogo atende psicótico?

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Psicólogo atende psicótico?

psicologo atende psicótico?

Pergunta:

Boa noite Gregório!
Estava procurando artigos sobre psicoterapia e psicose, mais especificamente esquizofrenia, e achei a sua página.

Sempre trabalhei muito bem ao lado de psicólogos, desenvolvemos trabalhos muito bacanas.

Só que, no meu atual trabalho, encontrei as maiores barreiras, a ponto de chegarmos a um impasse e divergências na equipe.
As psicólogas se recusam a atender os pacientes com transtorno psicótico, mesmo aqueles que, ao ver da equipe, estão necessitando de suporte psicológico e possuem condições para tal. Elas dizem que psicólogo não tem condição de fazer psicoterapia com psicótico, que este por sua vez é demanda só da Terapia Ocupacional. 
Até pacientes com TOC que estão mais desorganizados elas se recusam a atender, bem como outros sem transtorno psicótico nenhum mas que possuem um nível sócio-cultural mais baixo e, segundo elas, também não atendem aos critérios para psicoterapia.

Como devemos respeitar a avaliação e autonomia técnica das profissionais, a equipe está bem incomodada. De fato, resolvi perguntar a você que era do GIPSI:

Qual então é a demanda do psicólogo?

Psicólogo atende psicótico?

Psicólogo atende pessoas com nível sócio-cultural mais simples e, consequentemente, menor capacidade de elaboração dos conteúdos?

Quais são critérios para psicoterapia com pacientes graves?

Eu penso que, até pela minha experiência, está muito clara a abrangência do papel do psicólogo, bem como as possibilidades de atuação. Contudo, esta muito difícil dialogar na equipe com essas nossas colegas.

Aceito orientações, sugestões.

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Vamos lá!

É comum achar que psicólogo trata de casos mais levianos e psiquiatras de casos considerados mais graves. Pensar assim é um grande erro! Psiquiatra e psicólogo não se diferem pelos pacientes que atendem, de forma nenhuma, . Mas sim por sua forma de pensar e tratar um paciente. Portanto, todos os pacientes, inclusive os psicóticos, podem ser tratados pelos psicólogos. Fazendo uma ressalva para os casos orgânicos, como uma paralisia cerebral, que necessitam de um atendimento médico. Porém, mesmo nestes casos, há diversos aspectos que podem ser trabalhados na terapia. Um trabalho em conjunto entre estes dois profissionais da saúde nestes casos é recomendável.

Acontece a mesma coisa com a psicose. O remédio, quando se trata do psiquismo, não cura. Justamente porque ele não atua na causa, ele atua no sintoma. Assim sendo, em alguns casos é bom, em outros somente mascara o problema, coloca um curativo em cima da ferida. Entretanto, no caso das psicoses, o remédio é fundamental para tirar momentaneamente o paciente de sua crise, possibilitando que os conteúdos desta possam ser elaborados.

Convém lembrar que devemos sempre avaliar caso a caso. Já atendi um paciente diagnosticado como esquizofrenia (e eu concordo que nesta época os sintomas o definiam desta forma), mas que ao final da terapia estava com uma problemática completamente neurótica. Devemos pensar o diagnóstico como algo não estático. E ainda, questionar o próprio conceito de psicose (ver aqui).

Há diversas formas de psicoterapia nos casos mais graves. A resposta não é simples e exige uma avaliação específica do caso em questão. A psicologia não é uma. Dentro da psicologia há diversas formas de tratamento para estas questões. No entanto, o importante aqui é deixar bem claro que a psicologia não somente atende psicóticos como boa parte de sua teoria clínica foi (e ainda é) construída em cima destes pacientes.

psicologo

Então, psicologo atende todos os tipos de pacientes com questões relacionados ao psíquico, à “mente” humana. Cabe ao psicólogo reconhecer os casos em que possui mais estudos e os que não possui habilidade para lidar, ao ponto de ter que os encaminhar a um outro psicólogo com mais experiência neste assunto. Reside, então, no próprio psicólogo, e não nos pacientes a resposta para a sua pergunta.

Devemos, de fato, respeitar avaliação e autonomia técnica de todos profissionais. Contudo, cabe a nós questioná-las. E neste caso, indubitavelmente não há embasamento teórico para sustentar o não atendimento em nenhum destes casos. Muito pelo contrário, uma rápida pesquisa em artigos científicos e livros de psicologia e já será possível encontrar teorias que sustentam justamente o contrário (Ver artigo 1, artigo 2, artigo 3).

Sobre não atender pessoas com nível sócio-cultural mais simples e, consequentemente, menor capacidade de elaboração dos conteúdos, bom, isso é preconceito. Sem mais!

Até a próxima!

Gregório De Sordi
Psicólogo formado pela Universidade de Brasília, mestre e doutorando no programa Subjetividade, Clínica e Cultura. Professor das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (FACIPLAC). Possui experiência em Psicologia Clínica e é ex-membro do Grupo de Intervenção Precoce nas Primeiras Crises do Tipo Psicótica (GIPSI). Atualmente atende, com enfoque psicanalítico, adolescentes e adultos em consultório particular localizado em Brasília-DF. Telefone: (61)99425123

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