Os 20 centavos que mudaram o Brasil

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Os 20 centavos que mudaram o Brasil

o poder e a mudança

mudança provocada pela manifestaçao dos 20 centavos

O que são 20 centavos frente a tudo que temos que pagar mesmo?

Perto dos R$ 420 milhões doados como incentivos fiscais para construção do estádio particular de um time de futebol,

Perto do aumento do salario dos deputados de R$ 16.500 para R$ 26.700 em 2010,

Perto dos R$ 33 bilhões previstos como gasto total na copa do mundo de futebol (Fonte: Folha de S. Paulo),

Perto dos  bilhões e bilhões que somem dos cofres públicos por meio da corrupção (Fonte: André Carraro).

Estes 20 centavos representam bilhões!

Será que podemos mesmo fazer esta extravagancia toda? Como andam os hospitais, as universidades, o transporte público e todos os serviços que pagamos por eles em nossos impostos? Vejam este estudo como exemplo: //exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-e-pais-com-pior-retorno-dos-impostos-diz-ibpt.

Realmente “le Brésil, ce n’est pas un pays serieux” (“O Brasil não é um país sério”) (Gaulle, Charles). Não há, de fato, interesse na melhora do atendimento em hospitais, uma vez que todos que fazem as leis tem planos de saúde garantidos. Assim como não há interesse na melhoria do transporte público, já que nenhum político o utiliza. Também não há interesse em gastar nem 20 centavos na melhoria de escolas públicas. Se os políticos atuais foram eleitos com a atual educação, mudá-la pode alterar o curso da política.

Está aí o que o governo tem mais medo neste mundo: a mudança. O Estado busca a estabilidade e o crescimento econômico. Revoluções e manifestações estão fora de seu controle. Quando a manifestação contra o aumento dos 20 centavos na passagem de ônibus tomou dimensões surpreendentes que finalmente tiveram um efeito significativo nas pessoas e no funcionamento do estado, instaurou-se o caos (veja uma compilação dos acontecimentos aqui: //www.melhorquebacon.com/24-momentos-protesto-sao-paulo/).

Sendo assim não há mudança sem alguma ação por parte de quem demanda. Do contrário, ficamos na mesma. Os interessados na mudança somos nós. Assim como o procurador do link anterior, aqueles que estão no poder, que se beneficiam da nossa passividade frente aos absurdos, não farão nada.

Nós somos o meio de fiscalização do governo. Mas somente unidos.

o poder e a mudança

Por exemplo, o poder do voto só existiria se houvesse uma união entre aqueles que votam. O voto é ilusório se a gente está conformado no nosso sofá e espalhado em cada canto. Enquanto prevalecer a mentalidade do “rouba, mas faz”, do “voto no menos pior” ou o “não faço nada porque ninguém faz nada”, ele não tem poder nenhum. Fica uma troca de 6 por meia duzia. E ainda, sem meios de cobrança por parte do povo, não há como controlar o que os políticos fazem. O voto é somente de 4 em 4 anos.

Acredito que pode haver poder no voto, mas hoje, ainda não há. O poder, entretanto, está na mudança de mentalidade. Na reivindicação dos seus direitos e, principalmente, na responsabilização de cada um de nós pelo nosso coletivo, por tudo que nos faz brasileiro.

o poder e a mudança

Estamos em ano de Copa das Confederações e daqui um ano estaremos na Copa do Mundo,

Vibramos com os jogadores do Brasil, comemoramos cada gol, gritamos “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Gritamos pelo nosso time de futebol, discutimos pelos nossos valores, brigamos pela nossa religião.Vamos, então, nos sentir assim fora do futebol. Vamos sentir orgulho por ser um povo que luta por tudo aquilo que acredita. Venha, vista esta camisa e jogue.

Marchemos por algo que afeta todos os brasileiros. Seja você branco, negro, heterossexual, homossexual, cientista, professor, aluno e até policial (sim policial, venha para o nosso lado, você é tão explorado como todos os brasileiros). Lutemos contra o câncer que assombra o Brasil desde seus primórdios.

Não fiquemos parados, não mais…

Gregório De Sordi
Psicólogo formado pela Universidade de Brasília, mestre e doutorando no programa Subjetividade, Clínica e Cultura. Professor das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (FACIPLAC). Possui experiência em Psicologia Clínica e é ex-membro do Grupo de Intervenção Precoce nas Primeiras Crises do Tipo Psicótica (GIPSI). Atualmente atende, com enfoque psicanalítico, adolescentes e adultos em consultório particular localizado em Brasília-DF. Telefone: (61)99425123

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